Atividade física de deslocamento no Brasil: uma análise de tendências temporais com dados do Vigitel

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12820/rbafs.31e0459

Palavras-chave:

Mobilidade ativa, Deslocamento ativo, Áreas urbanas, Desigualdades sociais, Políticas públicas

Resumo

Introdução: A atividade física (AF) de deslocamento em meio urbano pode apresentar benefícios para a saúde, sustentabilidade e no direito à cidade, porém, ainda carecem de estudos que investiguem as iniquidades associadas. Considerando as desigualdades entre as macrorregiões brasileiras, faz-se necessário compreender como fatores sociodemográficos influenciam a prática de AF de deslocamento ao longo do tempo. Objetivos: Avaliar a tendência temporal da AF de deslocamento nas macrorregiões do Brasil e sua potencial associação com as variáveis sexo, faixa etária, escolaridade e raça/cor. Métodos: Foram utilizados dados do inquérito telefônico Vigitel, compreendendo 623.193 adultos (≥18 anos) residentes das capitais brasileiras e do Distrito Federal, entre 2009 e 2023. Foram classificados como ativos os indivíduos que atingiram ≥ 150 minutos/semana de AF de deslocamento. Para avaliar as variáveis de interesse, foram aplicados modelos de regressão logística com formas funcionais não-lineares, com nós posicionados nos anos de 2015, 2020 e 2021. Resultados: A proporção de indivíduos ativos no deslocamento diminuiu de 17,9% (IC 95%: 17,2; 18,7) em 2009 para 12,5% (IC 95%: 11,5; 13,6) em 2023. Todas as macrorregiões apresentaram tendência de redução, com a menor prevalência no Centro-Oeste e a maior no Sudeste. Mulheres, pessoas idosas, brancas e com idade maior (12 ou mais anos) e menor (0-4 anos) escolaridade apresentaram menores níveis de AF de deslocamento durante toda a série. Conclusão: Diante da tendência de declínio de AF de deslocamento, a qual está diferentemente relacionada a fatores sociodemográficos, reforça-se a necessidade de políticas que ampliem o seu acesso como escolha, considerando os seus determinantes de forma mais abrangente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. Strain T, Flaxman S, Guthold R, Semenova E, Cowan M, Riley LM, et al. National, regional, and global trends in insufficient physical activity among adults from 2000 to 2022: a pooled analysis of 507 population-based surveys with 5·7 million participants. The Lancet Global Health. 2024;12(8):e1232-e1243.

2. World Health Organization. Global action plan on physical activity 2018–2030: more active people for a healthier world. 2018. Disponível em: <https://iris.who.int/items/4d3e290b-aa54-4d9b-8a8f-3baaa5e0d3df> [2025 outubro].

3. Hallal PC, Andersen LB, Bull FC, Guthold R, Haskell W, Ekelund U. Global physical activity levels: surveillance progress, pitfalls, and prospects. The Lancet. 2012;380(9838):247-57.

4. Salvo D, Jáuregui A, Adlakha D, Sarmiento OL, Reis RS. When Moving Is the Only Option: The Role of Necessity Versus Choice for Understanding and Promoting Physical Activity in Low- and Middle-Income Countries. Annu Rev Public Health. 2023;44:151-69.

5. Florindo AA, Goulardins GS, Andrade DR, Knebel MTG, Santos MP, Hallal PC, et al. Em defesa da caminhada e do uso de bicicleta como deslocamento no Brasil. Cad Saúde Pública. 2025;41:e00099324.

6. Crochemore-Silva I, Knuth AG, Mielke GI, Loch MR. Promoção de atividade física e as políticas públicas no combate às desigualdades: reflexões a partir da Lei dos Cuidados Inversos e Hipótese da Equidade Inversa. Cad Saúde Pública. 2020;36:e00155119.

7. Salvo D, Crochemore-Silva I, Wendt A, Tarp J, Shiroma EJ, Simpson RJ, et al. Physical activity for public health in the 21st century. Nat Med. 2026;32(4):1479-89.

8. Brasil, Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2021 - estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas — Ministério da Saúde. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2021-estimativas-sobre-frequencia-e-distribuicao-sociodemografica-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas/view> [2025 fevereiro].

9. Bernal RTI, Iser BPM, Malta DC, Claro RM. Surveillance System for Risk and Protective Factors for Chronic Diseases by Telephone Survey (Vigitel): changes in weighting methodology. Epidemiol Serv Saúde. 2017;26:701-712.

10. Bastone A de C, Moreira B de S, Vasconcelos KS de S, Magalhães AS, Coelho DM, Silva JI da, et al. Time trends of physical activity for leisure and transportation in the Brazilian adult population: results from Vigitel, 2010-2019. Cad Saúde Pública. 2022;38:e00057222.

11. Herreros-Irarrázabal D, Guzmán-Habinger J, Mahecha Matsudo S, Kovalskys I, Gómez G, Rigotti A, et al. Association between Active Transportation and Public Transport with an Objectively Measured Meeting of Moderate-to-Vigorous Physical Activity and Daily Steps Guidelines in Adults by Sex from Eight Latin American Countries. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(21):11553.

12. Pereira RHM, Warwar L, Parga J, Bazzo J, Braga CK, Herszenhut D, et al. Tendências e desigualdades da mobilidade urbana no Brasil I: o uso do transporte coletivo e individual. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. 2021:1-51.

13. Rissel C, Curac N, Greenaway M, Bauman A. Physical Activity Associated with Public Transport Use—A Review and Modelling of Potential Benefits. Int J Environ Res Public Health. 2012;9(7):2454-2478.

14. Confederação Nacional da Indústria. Mobilidade Urbana no Brasil: Marco Institucional e Propostas de Modernização. Mobilidade urbana no Brasil marco institucional e propostas de modernização [Internet]. 2023. Disponível em: <http://portaldaindustria.com.br/publicacoes/2023/5/mobilidade-urbana-no-brasil-marco-institucional-e-propostas-de-modernizacao/> [2025 outubro].

15. Ali PC, Jesus LAN de, Ramos LLA. Espaços livres de uso público no contexto da segurança urbana. Ambient constr. 2020;20:67-86.

16. Schymura LG. O papel da falta de sorte na “década perdida” de 2011 a 2020 | IBRE. February 8, 2022. Disponível em: <https://portalibre.fgv.br/revista-conjuntura-economica/carta-da-conjuntura/o-papel-da-falta-de-sorte-na-decada-perdida-de> [2026 abril].

17. Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Anuário NTU: 2023-2024. Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos; 2024:72. Disponível em: <https://ntu.org.br/novo/upload/Publicacao/Pub638573500081945042.pdf> [2026 abril].

18. Teixeira IP. Infraestrutura para o deslocamento ativo: uma análise territorial nos 5.570 municípios brasileiros. Rev Bras Ativ Fís Saúde. 2026;31:1-19.

19. Madeira MC, Siqueira FCV, Facchini LA, Silveira DS da, Tomasi E, Thumé E, et al. Atividade física no deslocamento em adultos e idosos do Brasil: prevalências e fatores associados. Cad Saúde Pública. 2013;29:165-174.

20. Florindo AA, Hallal PC, Moura EC de, Malta DC. Prática de atividades físicas e fatores associados em adultos, Brasil, 2006. Rev Saúde Pública. 2009;43:65-73.

21. Pereira R, Vieira J. Tendências e Desigualdades Da Mobilidade Urbana No Brasil III : O Uso Da Mobilidade Ativa. Julho de 2024. IPEA; 2024.

22. Agência IBGE Notícias. Pessoas pretas e pardas continuam com menor acesso a emprego, educação, segurança e saneamento | Agência de Notícias. Agência de Notícias - IBGE. November 11, 2022. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/35467-pessoas-pretas-e-pardas-continuam-com-menor-acesso-a-emprego-educacao-seguranca-e-saneamento> [2025 outubro].

23. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desigualdades Sociais Por Cor Ou Raça No Brasil. IBGE; 2022. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101972_informativo.pdf.> [2025 setembro].

24. Goel R, Goodman A, Aldred R, Nakamura R, Tatah L, Garcia LMT, et al. Cycling behaviour in 17 countries across 6 continents: levels of cycling, who cycles, for what purpose, and how far? Transp Rev. 2022; 42(1):58–81.

25. Machado A. Movimentas - Direito à Mobilidade: Discurso – Gênero. Letra Capital Editora Ltda; 2022:150. Disponível em: <https://www.letracapital.com.br/wp-content/uploads/2023/02/movimentas-digital.pdf?srsltid=AfmBOopsSLB8TqmbzBEo9PcVaMgEGy9Nw-6J0uVBhpeAQJVnTlvDk9up> [2025 outubro].

Publicado

26-10-2026

Como Citar

1.
Cooper PP, Mondini DR, Esteves GP, Garcia MC, Longobardi I, Alves RA, et al. Atividade física de deslocamento no Brasil: uma análise de tendências temporais com dados do Vigitel. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde [Internet]. 26º de outubro de 2026 [citado 27º de outubro de 2026];31:1-15. Disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/15591

Edição

Seção

Artigos Originais