“Seja Ativo”: contradições na parceria entre Federação Internacional de Futebol e Organização Mundial da Saúde
DOI:
https://doi.org/10.12820/rbafs.31e0438Palavras-chave:
Educação em saúde, Organização Mundial da Saúde, Conflito de interesses, FutebolResumo
Da parceria entre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022, foi lançada a campanha Be Active (“Seja Ativo”), que busca incentivar a prática de atividades físicas, especialmente entre crianças e adolescentes. Mesmo que as instituições de grande porte tenham papel importante na disseminação de ações em saúde, o presente texto traz reflexões sobre as contradições quanto aos seus compromissos com a proteção à saúde, que são motivadas, sobretudo, por aspectos econômicos. A principal delas está no contraste entre as relações históricas entre a FIFA e as indústrias de commodities insalubres, que patrocinam seus megaeventos há mais de 50 anos e os esforços da OMS em recomendar a formulação de políticas mais assertivas para proteger crianças e adolescentes dos impactos do marketing alimentar, bem como seu apoio ao debate sobre os determinantes comerciais da saúde. O texto também traz reflexões sobre questões de outros domínios, como o étnico-racial e o político. Por fim, a partir destes pontos de contradição quanto aos compromissos da FIFA e da OMS em relação a proteção à saúde, que são permeadas, sobretudo, por prerrogativas econômicas, cabe indicar, sob o enfoque da promoção da atividade física, e, por consequência, da saúde, que esta parceria não se sustenta, recomendando-se que a OMS se afaste de entidades que, em suas práticas, não prezam pela saúde e equidade.
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