Prática de atividade física e desigualdades em idosos antes e após a COVID-19

Autores

  • Leandro Quadro Corrêa Universidade Federal do Rio Grande, Instituto de Educação, Curso de Licenciatura em Educação Física, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil. Universidade Federal do Rio Grande, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-1231-3800
  • Otávio Amaral de Andrade Leão Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-5253-7665
  • Flávio Fernando Demarco Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Medicina Social, Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-2276-491X
  • Renata Moraes Bielemann Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Medicina Social, Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Nutrição, Programa de Pós-graduação em Nutrição e Alimentos, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-0202-3735
  • Inácio Crochemore-Silva Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5390-8360

DOI:

https://doi.org/10.12820/rbafs.28e0313

Palavras-chave:

Atividade física, Desigualdade, Iniquidade, Coorte, Idosos

Resumo

O objetivo do estudo foi verificar modificações na prevalência de atividade física (AF) e desigualdades em idosos acompanhados antes e após o período de distanciamento social causado pela COVID-19. Trata-se de estudo prospectivo conduzido na zona urbana da cidade de Pelotas-Rio Grande do Sul, onde idosos foram acompanhados no ano de 2019/20 e 2021/22. A prevalência de AF foi avaliada através do IPAQ nos domínios do lazer e deslocamento avaliados de forma conjunta. Foram classificados como ativos fisicamente aqueles que realizavam ≥ 150 min/sem. As covariáveis/estratificadores avaliadas foram sexo, idade, cor da pele, classe econômica, escolaridade e morbidades. As desigualdades simples foram avaliadas através das diferenças e das razões da prevalência de AF e as desigualdades complexas através do índice de desigualdade (SII) e o índice de concentração (CIX). Os resultados indicaram que houve redução da prevalência de AF de 2019/20 para 2021/22 e que essas modificações ocorreram em todos os grupos populacionais, variando em termos de magnitude de declínio. O SII mostrou aumento da desigualdade entre os mais pobres em comparação aos mais ricos e redução da desigualdade em relação à idade, escolaridade e morbidades. Concluiu-se que a redução da AF ocorreu em todos os grupos populacionais. Em termos de desigualdades, houve aumento em termos de classe econômica e, nos casos de redução da desigualdade, tal mudança foi em virtude da diminuição de AF entre as categorias que eram mais ativas, sendo necessário políticas de saúde para resgatar níveis adequados de AF na população estudada.

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Biografia do Autor

Leandro Quadro Corrêa, Universidade Federal do Rio Grande, Instituto de Educação, Curso de Licenciatura em Educação Física, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil. Universidade Federal do Rio Grande, Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.

Possui Doutorado pelo Programa de Pós Graduação em Educação Física da Universidade Federal de Pelotas. É mestre em ciências pelo pelo mesmo programa (2009) e concluiu a especialização em Atividade Física e Saúde por esta mesma universidade (2007). É graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Pelotas (2005) e em Pedagogia pela Universidade Católica de Pelotas (1998). É professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) com atividades no curso de Licenciatura em Educação Física e na Residência Integrada Multiprofissional Hospitalar com Ênfase na Atenção à Saúde Cardiometabólica do Adulto (RIMHAS) onde também exerce função de coordenador desta Residência.

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Publicado

2023-11-21

Como Citar

1.
Corrêa LQ, Leão OA de A, Demarco FF, Bielemann RM, Crochemore-Silva I. Prática de atividade física e desigualdades em idosos antes e após a COVID-19. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde [Internet]. 21º de novembro de 2023 [citado 3º de março de 2024];28:1-9. Disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/15140

Edição

Seção

Artigos Originais