Racismo e sexismo no acesso à atividade física: desvendando as barreiras (in)visíveis ao longo da vida
DOI:
https://doi.org/10.12820/rbafs.31e0434Palavras-chave:
Racismo estrutural, Desigualdade social, Inatividade física, Saúde mentalResumo
Introdução: Estima-se que metade da população brasileira não atinja os níveis mínimos de atividade física (AF) semanal. Embora a relação entre AF e saúde seja amplamente explorada, poucos estudos analisam como barreiras raciais, de gênero e socioeconômicas interagem de forma interseccional na conformação do acesso e da adesão à prática de AF durante a vida. Objetivo: Este estudo discute como o racismo estrutural, o sexismo e os dispositivos de necropolítica, sob uma perspectiva interseccional, impactam a prevalência de inatividade física e o acesso desigual a práticas corporais na população negra brasileira. Desenvolvimento: Os níveis de AF são compreendidos como expressão das desigualdades históricas e sociais que atravessam o corpo e o movimento. O racismo estrutural, articulado ao sexismo e às barreiras de renda, restringe o acesso da população negra, especialmente das mulheres, a espaços e oportunidades de cuidado corporal. Essas barreiras, visíveis e invisíveis, revelam como a AF reflete dinâmicas de poder que desvalorizam determinados corpos e territórios. Reafirma-se, assim, a urgência de repensar a corporeidade e o movimento como dimensões políticas da vida e da saúde, para além de sua instrumentalização produtivista. Considerações finais: Baixos níveis de AF devem ser compreendidos como produto direto das intersecções entre racismo e sexismo, que moldam o acesso desigual às práticas corporais e ao direito ao movimento. Propõe-se o fortalecimento de políticas e pesquisas antirracistas e decoloniais que integrem teorias críticas, como interseccionalidade, branquitude e necropolítica, à promoção da AF e ao letramento corporal, assegurando o direito universal e equitativo à vida ativa.
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