Pandemia da COVID-19 e as consequentes alterações comportamentais de uma comunidade universitária

Autores

  • Larissa Quintão Guilherme Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Educação Física, Viçosa, Minas Gerais, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3620-6751
  • Natiele Resende Bedim Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Educação Física, Viçosa, Minas Gerais, Brasil. https://orcid.org/0009-0003-6003-2506
  • Valter Paulo Neves Miranda Hospital de Clínicas da Universidade do Triângulo Mineiro, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Uberaba, Minas Gerais, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-2037-0573
  • Paulo Roberto dos Santos Amorim Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Educação Física, Viçosa, Minas Gerais, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-4327-9190

DOI:

https://doi.org/10.12820/rbafs.28e0319

Palavras-chave:

Atividade física, Comportamento sedentário, Indicador nutricional, Estilo de vida, Pandemia de COVID-19

Resumo

Objetivou-se avaliar as variações comportamentais, estilo de vida e indicador nutricional de uma comunidade acadêmica antes e durante a pandemia de COVID-19. Estudo transversal, epidemiológico, com 1655 integrantes da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, de ambos os sexos e idades entre 17 a 72 anos. Via Google Forms, aplicou-se o questionário adaptado do “ConVid: Pesquisa de Comportamentos”, e a versão curta do IPAQ. Utilizou-se o teste de McNemar para comparação dos indicadores entre estilo de vida antes e durante a pandemia (p < 0,05) e regressão logística binária para associação com diagnóstico da COVID-19. Observou-se que durante a pandemia houve uma prevalência de aumento (p < 0,001) de indivíduos que não atingiram as recomendações para caminhada (42,8% para 80,6%); atividade física moderada (74,3% para 80,6%) e vigorosa (64,6% para 71,8%). Além disso, aumento no tempo de uso considerado elevado (p < 0,001), para televisão (2,4% para 12,7%) e computador/tablet (58,1% para 81,8%). O consumo de álcool passou de 64,1% para 64,9% (p < 0,001), enquanto o uso de cigarros foi de 5,7% para 7,8% (p < 0,001). A classificação do indicador nutricional também demonstrou mudanças significativas (p < 0,001), o percentual de obesidade (7,7% para 11,1%) e sobrepeso (22,6% para 28,1%). O risco de contaminação para COVID-19 foi maior entre aqueles menos ativos (OR = 1,34; IC95%: 1,04 – 1,64). Os resultados demonstraram diminuição do nível de atividade física, aumento do tempo sedentário, piora no estilo de vida e aumento do excesso de peso dos estudantes e servidores de uma comunidade acadêmica, devido às consequências impostas pelo período pandêmico, elevando fatores de risco à saúde.

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Publicado

2024-01-27

Como Citar

1.
Guilherme LQ, Bedim NR, Miranda VPN, Amorim PR dos S. Pandemia da COVID-19 e as consequentes alterações comportamentais de uma comunidade universitária. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde [Internet]. 27º de janeiro de 2024 [citado 3º de março de 2024];28:1-8. Disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/15161

Edição

Seção

Artigos Originais